Morreu Mão de Onça -
Pela grandiosidade do lance, todo mundo garante ter tido o privilégio de tê-lo visto ao vivo, das arquibancadas da Javari. Dá status dizer ‘‘Eu estava lá naquele dia’’. Como nem todo mundo estava de fato no campo do Juventus o lance é reconstruído de várias maneiras. Cada um o recorda de seu jeito — seja realidade ou mera ficção. Assim, um inventa um driblezinho a mais aqui, exagera numa filigrana ali... Já teve gente que falou em oito chapéus antes de a bola morrer no fundo da rede. Mentira — ou melhor, fantasia.
A verdade, contada pelo próprio Pelé, resgatada pelas fotos que hoje publicamos e recordada por dois juventinos que estavam em campo naquele dia — Pando e Clóvis —, é uma só. Foram só — só!!! — quatro chapéus. Assim. Dorval cruzou, Pelé recebeu e, primeiro, aplicou um chapéu em Julinho, lateral-direito. Em seguida, outro em Homero. O terceiro em Clóvis. Como a bola caiu em uma poça de barro (havia chovido), Pelé aguardou a chegada de Moraes, o famoso Mão de Onça, que se atirou dando um peixinho e, com um toque, encobriu o goleiro. O último golpe foi o toque de cabeça, certeiro, para o fundo das redes. Era o quarto e último gol da vitória santista.
Na comemoração, Pelé não consagrou o soco no ar, sua tradicional maneira de festejar os gols que marcava. Na verdade, o gestual que acabou se incorporando ao mito Pelé foi uma resposta do Rei a um grupo de torcedores juventinos que o vaiava desde uma dividida com Pando. Naquele lance, Pelé entrou mais forte e quebrou a perna do zagueiro adversário.
A vida de Mão de Onça foi marcada por este gol sofrido. Por isso decidi reproduzir fragmento de um texto escrito por Nélson Nunes e publicado na coluna Túnel do Tempo, do Diário Popular neste dia em que ele vai ao encontro do Rei.
É bom
lembrar que este não é o lance que deu origem à expressão ‘‘gol de placa’’,
outra contribuição do Rei à história do futebol.
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