A verdade sobre a troca do árbitro que expulsou Pelé

Depois que vi e ouvi o próprio Pelé contando parte de uma história, no documentário em exibição na Netflix, resolvi contar a outra parte.

Todos já ouviram falar no dia em que o Juiz expulsou o Pelé e a torcida, enfurecida, expulsou o juiz permitindo que o Rei voltasse a participar da porfia.

Na verdade, são dois fatos que o famoso 'telefone sem fio" ou o boca a boca foram modificando até juntá-los em uma única e genial história. Vamos aos fatos.

Pelé voltou ao campo (O jogo das almofadas)

Sabemos que o Santos recebia uma cota por amistosos com Pelé e outra, muito menor, sem Pelé. Em uma destas famosas excursões do Santos pelos campos do mundo aconteceu a primeira parte da história. 

Era um jogo, no interior do Equador. Pelé estava muito desgastado pela sequência de jogos. O técnico Lula, se aproveitando da péssima iluminação do estádio, tirou Pelé no intervalo, tentando preservar o Rei e, para manter a cota integral, o Santos voltou para o 2º tempo com Dorval envergando a famosa camisa 10.

Após a segunda "matada de bola na canela", o público percebeu o engodo e exigiu a volta do Rei aos gritos e jogando as famosas almofadas. É lógico que Dorval não matava de canela, mas foi a forma mais rápida encontrada pra justificar a revolta da torcida. E Pelé voltou ao jogo.

A Troca do Juiz

Realmente houve um jogo no qual Pelé foi expulso e o juiz foi substituído. Mas isso não ocorreu por causa de expulsão do Pelé.

O juiz foi trocado porque levou um cacete federal. Sua Senhoria levou uma cabeçada do Oberdan que abriu o supercílio e teve que ser substituído.

Após a validação de dois gols irregulares do Selecionado Olímpico da Colômbia, expulsão do Lima, por reclamação e anulação de gols do Santos o pau quebrou e o juiz ladrão levou um corretivo. Era o ano de 1968 e o treinador era Antoninho.

O juiz fugiu e, no desespero, correndo e olhando para trás, entrou dentro do gol onde foi cercado pelos jogadores do Santos apanhando ainda mais. 

O por quê da revolta em um jogo amistoso? 

Era final de excursão de 42 dias e a invencibilidade de determinado número de jogos daria um prêmio extra aos jogadores. 

Ao final do jogo, o Juiz Guillermo Velasques, com o rosto todo remendado, acompanhado de policiais, aguardava o time do Santos no vestiário.

Logo todos foram obrigados a formar um círculo e sua senhoria ia apontando quem bateu nele. Sendo detidos um a um. Os que estavam liberados saíram da sala.

Todos achavam que a história logo se resolveria, como tantas outras. Um autógrafo do Rei, uma camisa 10 ou qualquer outro mimo resolveria a questão. Desta vez, não. A viagem de retorno do time foi adiada e o avião da VARIG foi liberado para seguir ao  destino final.

Senta que lá vem história. 

Neste dia se comemorava o aniversário de Casamento de José Macia e os jogadores inocentados pelo árbitro, sem entender a gravidade da situação, se divertiam do lado de fora da sala escrevendo bilhetinhos de felicitações e colocando por baixo da porta.

E o avião da VARIG? O comandante da aeronave, em um acerto com a Diretoria do Santos, pouco antes do pouso, em Bogotá, ofereceu aos demais passageiros a oportunidade de ver Pelé em campo, com tudo pago. A oferta foi logo aceita. Assim, a escala seria estendida por mais uma ou duas horinhas. Assistiriam ao jogo e em seguida a viagem teria sequência. Mas a prisão do time do Santos não permitiu que o plano tivesse sucesso e o voo seguiu sem o glorioso alvinegro da Vila Belmiro.

Pelé saiu do jogo e teve que voltar? Sim. 
O Juiz expulsou Pelé e foi substituído? Sim. 
Pelé parou a guerra? Bem, esta fica pra depois.



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